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23/01/2018

Em 2017, quase 80% dos reajustes salariais ficaram acima da inflação

Em um movimento contrário dos últimos anos, o mercado de trabalho apresentou um cenário mais otimista em 2017: pisos salariais maiores, mais negociações com ganhos reais e uma queda do número de acordos com redução de jornada e de salários desenharam o panorama dos salários brasileiros no ano passado. O número de reajustes salariais acima da inflação em 2017, ou seja, com ganhos reais, foi de 79,5% — significativamente maior do que em 2016, quando o índice marcou 27,4%. É o que mostra o “Salariômetro”, estudo elaborado desde 2007 pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
 

De acordo com o relatório, o total de reajustes abaixo da inflação acumulada em 12 meses (medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), até a data-base de cada categoria), também recuou. Ao todo, o índice registrou uma taxa de 10%, contra 46,5% no ano passado.

Além disso, o piso mediano negociado em 2017 foi de R$1.130 – 18,4% maior que o salário mínimo, de R$ 954, e 3,7% maior do que o mediano negociado em 2016, que havia ficado em R$ 1.089.

Os números são impulsionados pela queda da inflação, que fechou 2017 em 2,95%, no menor nível em duas décadas. Em 2017, o INPC fechou o ano a 2,07%, em uma taxa quase 82% menor que 2015, quando fechou o ano a 11,28%.

Ainda segundo o levantamento, em 2017, ocorreram 137 acordos de redução salarial, uma redução de 65% em comparação a 2016. Desse total, porém, apenas 35 (25,5%) utilizaram o Programa de Proteção ao Emprego (PPE). Em 2016, foram 390 acordos com redução, sendo que 127 (32,5%) utilizaram PPE.

O boletim Salariômetro é uma iniciativa da Fipe para disponibilizar informações e análises sobre o mercado de trabalho brasileiro. Para sua elaboração, são coletados e analisados os resultados negociações coletivas, incluindo reajustes e pisos salariais e a evolução da folha de salários do conjunto das empresas brasileiras. Os informes são elaborados no 20º dia de cada mês e incluem todos os acordos e convenções com início de vigência até o mês anterior.

Fonte: O Globo