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29/03/2018

A força feminina no interior

Elas estão em todos os lugares, de Norte a Sul do Rio de Janeiro. São empreendedoras, contadoras e técnicas em Contabilidade, representantes regionais do maior órgão contábil do Estado. Elas são mulheres. São as Delegadas do CRCRJ.

Das 19 Delegacias do Conselho do Rio, seis são lideradas por mulheres: Macaé, Nova Friburgo, Petrópolis, Teresópolis, Barra do Piraí e São Gonçalo. Pessoas fundamentais para o desenvolvimento da Profissão Contábil em suas regiões, elas falam sobre a importância da liderança feminina e os desafios que as mulheres contabilistas ainda têm pela frente.

Mercado de Trabalho

O crescimento da presença de mulheres no mercado de trabalho nos últimos 10 anos é notável. Em 2007, representavam 40% do mercado formal de trabalho. Em 2016, ocupavam 44% das vagas.

Falando especificamente do mercado Contábil, uma pesquisa de 1996 do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) mapeou a presença da mulher em 27,45% do mercado. Em 2018, os profissionais registrados em âmbito nacional se dividem em: 57,02% do sexo masculino e 42,98% do sexo feminino, a mesma porcentagem no Rio de Janeiro, onde as mulheres somam 23.565 do total de 54.829 registrados. Mas a tendência é aumentar, uma vez que elas já são maioria nas universidades.

Liderança

Mas, além da própria presença no mercado, também é importante falar de liderança. De acordo com estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), apenas entre 5% e 10% das instituições e empresas são chefiadas por mulheres no Brasil.

Outra questão é a diferença salarial - as mulheres ainda ganham em média menos do que os homens, mesmo tendo mais tempo de estudo e qualificação. No total, a diferença de remuneração entre homens e mulheres em 2015, ano com os dados mais recentes do indicador, era de 16%.

Representatividade

No cenário contábil, a crescente participação feminina despertou a atenção do Conselho Federal de Contabilidade ainda na década de 90, culminando na criação, em 1991, do projeto Mulher Contabilista, que objetiva estimular o empreendedorismo e o empoderamento da mulher no contexto social, político e econômico.

Como resultado, cada vez mais as mulheres vêm ocupando posições de destaque no Sistema Contábil Brasileiro. O Conselho Federal de Contabilidade, por exemplo, teve a Contadora Maria Clara Cavalcante Bugarim eleita Presidente por dois mandatos (2006 -2010). No Conselho Regional do Rio, a primeira Presidente mulher foi a Contadora Diva Gesualdi, gestão 2010-2013; seguida pela Contadora Vitória Maria da Silva, gestão 2014-2017.

Nas eleições mais recentes do Sistema CFC/CRCs, realizadas em outubro de 2017, aconteceu um fato inédito: pela primeira vez na história, sete Regionais, dentre os 27, estão atualmente presididos por mulheres: CRCMG, CRCMS, CRCPA, CRCPB, CRCRR, CRCRS e CRCSP.

Confira, abaixo, a opinião das Delegadas do CRCRJ, nossas representantes regionais, sobre a presença feminina na Contabilidade e os desafios da Mulher Contabilista.

  1. CRCRJ: No dia 8 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Em sua visão, qual é a importância da comemoração desta data?

• Delegada Jussara Célem (Macaé): Comemorar o dia 8 de março é reconhecer todo o esforço empreendido nesses anos de luta por milhares de mulheres - pelos direitos trabalhistas e pela participação feminina no mercado de trabalho. Mas, ainda existem disparidades e injustiças, como a ausência de equiparação salarial entre ambos os sexos, a mídia que prioriza a sexualidade das mulheres, a violência doméstica, enfim, uma sociedade que ainda desrespeita mulheres. Então, ainda há muito pelo que lutar para que as mulheres sejam respeitadas. Ainda iremos comemorar esta data sem passeatas, protestos...pois teremos a nossa liberdade e os nossos diretos reconhecidos.

• Delegada Guiomar Rodrigues (Nova Friburgo):  É uma data importante, embora mulheres e homens sejam perfeitamente complementares. Todos os dias são especiais para todos os homens e mulheres.

• Delegada Carolina Licht (Petrópolis): Considero importante a valorização do papel da mulher na sociedade, ressaltando sua independência e igualdade de direitos duramente conquistados.

• Delegada Magda Fonseca (Teresópolis): Na minha visão, o Dia Internacional da Mulher tem fundamental importância, pelo fato de as mulheres realizarem múltiplas tarefas, sendo profissional, mãe, esposa, entre outras atividades. É o dia de reconhecimento da luta das mulheres e de suas conquistas sociais, culturais e políticas.

• Delegada Bianca Motta (São Gonçalo): A importância é a de mostrar à sociedade o papel da mulher, para valorização de seu potencial.

• Delegada Elizabeth Soares (Barra do Piraí): Esta data é importante porque mostra a força da mulher, o que ela tem de mais sublime, que é o carinho, o aconchego, a paciência, todas essas virtudes que temos.

  1. CRCRJ: Quando você iniciou na profissão Contábil, quais foram os principais desafios? Acredita que algum deles era relacionado ao fato de ser mulher?

• Delegada Jussara Célem (Macaé): Há 24 anos, assumi a gestão da empresa contábil que era do meu pai. Não foi nada fácil. Substituir uma pessoa de personalidade marcante, um profissional exemplar, foi um grande desafio. Tive que ter coragem e ousadia. É uma triste realidade, mas as mulheres tendem a ser mais exigidas a comprovar experiência, conhecimento de fato. Tive que provar competência, habilidade e atitude. Uma luta quase que diária.

• Delegada Guiomar Rodrigues (Nova Friburgo): Quando iniciei, atuei em um escritório em que só trabalhavam homens. Mas, felizmente, não tive nenhum problema. Nossa relação era de muito respeito e admiração.

• Delegada Carolina Licht (Petrópolis): Acredito que infelizmente em todas as profissões ainda existam essas diferenças, mas a cada ano conseguimos mostrar nossa competência. Assim, a sociedade já está reconhecendo o papel da mulher no âmbito profissional.

• Delegada Magda Fonseca (Teresópolis): O principal desafio era ser reconhecida com seriedade e confiança, porque iniciei muito nova, e também pelo fato de ser mulher. Mas acredito que a personalidade ganha acima de tudo.

• Delegada Bianca Motta (São Gonçalo): Foram muitos desafios. No começo, quando assumi o escritório, muitos clientes olhavam com desconfiança, alguns rescindiram o contrato e disseram que o motivo era o fato de eu ser mulher e não transmitir confiança. Foram momentos complicados, hoje não observo essa desconfiança tão explícita, mas ainda existe.

• Delegada Elizabeth Soares (Barra do Piraí): Quando iniciei, existiam muito mais homens na área contábil do que mulheres, principalmente na minha cidade. Então, ultrapassei muitos desafios. Pessoas acreditando que eu era incapaz, por exemplo. Até por eu ter assumido grande responsabilidade tão cedo. Mas consegui superar. O esforço transforma a dificuldade em facilidade.

  1.  CRCRJ: Em sua opinião, qual é a importância de terem mulheres em cargos de liderança na Classe Contábil, seja no sistema CFC/CRCs, seja na área empresarial?

• Delegada Jussara Célem (Macaé): Eu acho fantástico.  A mulher ainda tem presença relativamente baixa em relação aos cargos de liderança nos órgãos que representam a classe. E competência e habilidade não estão relacionados a gênero.

• Delegada Guiomar Rodrigues (Nova Friburgo): Cargos de liderança devem competir a todos, sem distinção.

• Delegada Carolina Licht (Petrópolis): A importância é mostrar nosso ponto de vista e defender nossos ideais.

• Delegada Magda Fonseca (Teresópolis): A mulher é fundamental em todas as áreas da vida, basta ter competência, coragem e vontade. Como exemplos de realização, temos as presidentes Vitória e Diva na direção do nosso Conselho, ambas fantásticas.

• Delegada Bianca Motta (São Gonçalo): Mulheres em qualquer cargo de liderança fazem a diferença, porque conseguem ser conciliadoras, mas também firmes.

• Delegada Elizabeth Soares (Barra do Piraí): A mulher tem o poder de fazer várias coisas ao mesmo tempo sem perder o foco. Se todas tivessem oportunidade de desenvolver a sabedoria e o conhecimento, não teríamos desavenças. A mulher tem o poder de contornar situações, tem visão. Quando tem oportunidade de exercer cargos de liderança, ela tem muito a contribuir com o país e com o mundo.

  1.  CRCRJ: Quais são os principais desafios de ser Mulher Contabilista nos dias atuais? Em quais aspectos ainda precisamos avançar?

• Delegada Jussara Célem (Macaé): Quebrar paradigmas. A mulher vem, gradativamente, ultrapassando obstáculos e ocupando cada vez mais o mercado na área contábil. O contingente feminino vem crescendo e a tendência é aumentar cada vez mais, tendo em vista o grande número de estudantes do sexo feminino. As mulheres estão mostrando que o sucesso profissional é possível mesmo com a dupla jornada, com trabalho, filhos, marido e afazeres de casa.  Precisamos avançar na questão da discriminação e a diferença salarial, uma vez que, mesmo ocupando cargos equivalentes aos ocupados pelos homens, a remuneração chega a ser 40% menor para mulheres.

• Delegada Carolina Licht (Petrópolis): Mostrar que somos iguais, mas acredito que em nossa classe essas diferenças já estejam diminuindo, pois temos várias mulheres em cargos de liderança.

• Delegada Magda Fonseca (Teresópolis): Com base na minha experiência, nosso principal desafio é a dependência da área de informática, ainda majoritariamente masculina. Hoje, um escritório de contabilidade é totalmente dependente da informática, que infelizmente, ainda é raro vermos mulheres, ao menos em minha região.

• Delegada Bianca Motta (São Gonçalo): Os desafios são conciliar a vida particular com a profissional, porque esse aspecto, pelo menos para mim, é bastante desafiador. Precisamos avançar em melhorias de condições de trabalho para nós, mulheres, não só profissionais da contabilidade.

• Delegada Elizabeth Soares (Barra do Piraí): Na nossa profissão, a mulher ainda esbarra em determinadas situações, principalmente quando vive em um meio em que as pessoas desacreditam da capacidade profissional. Mas, precisamos nos unir para ultrapassar os desafios que ainda existem.

  1.  CRCRJ: Como é a presença feminina entre os profissionais da contabilidade de sua região?

• Delegada Jussara Célem (Macaé): Na minha região, o número de mulheres na profissão contábil vem crescendo.

• Delegada Guiomar Rodrigues (Nova Friburgo): A presença feminina é constante.

• Delegada Carolina Licht (Petrópolis): Atualmente em minha região a presença da mulher é atuante, temos uma mulher como presidente do Sindicato, uma como presidente da Associação e também como Delegada do CRCRJ.

• Delegada Magda Fonseca (Teresópolis): Em Teresópolis a presença feminina é muito grande! E agora está aumentando ainda mais, porque entre os formandos, mulheres são maioria.

• Delegada Bianca Motta (São Gonçalo): São muitas as profissionais à frente de escritórios contábeis, observo um número crescente.

• Delegada Elizabeth Soares (Barra do Piraí): A presença é expressiva. Mas gostaria muito de ter ainda mais mulheres no nosso meio, como Delegadas, para buscarmos ainda mais avanços na nossa profissão, o que só será possível com homens e mulheres juntos, sem discriminação.

  1.  CRCRJ: Como você busca incentivar que outras mulheres sigam a carreira contábil, especialmente em sua região?

• Delegada Jussara Célem (Macaé): Eu visito as universidades e tento passar para as estudantes que o sucesso depende muito mais do esforço pessoal e da escolha do caminho. A Contabilidade nos oferece um leque de área de atuações, e independe da escolha, o estudo deve ser contínuo.

• Delegada Guiomar Rodrigues (Nova Friburgo):  Procuro incentivar a todos ressaltando que a Contabilidade é uma profissão brilhante.

• Delegada Carolina Licht (Petrópolis): Dando exemplo de competência e dedicação à minha carreira.

• Delegada Magda Fonseca (Teresópolis): Principalmente em dois eixos: incentivando minhas funcionárias mulheres, ao mostrar que existem diversas possibilidades de atuação dentro da Contabilidade: nos setores Fiscal, Contábil, Pessoal, Assessoria, Consultoria... Além disso, busco sempre dar uma palavra de incentivo às estudantes de Ciências Contábeis, mostrando que temos mais possibilidades de ocupar cargos com maior complexidade com a formação em Ciências Contábeis, o que nos proporciona um conhecimento profundo e maior poder de decisão. Por ser um município pequeno, esse relato abre um horizonte maior para elas.

• Delegada Bianca Motta (São Gonçalo): Mostrando e ratificando trajetórias de sucesso de vencedoras, como nossas Presidentes Vitória Maria da Silva, Diva Gesualdi; as Conselheiras e nós Delegadas também.

• Delegada Elizabeth Soares (Barra do Piraí): Procuro sempre buscar novas pessoas para atuarmos juntos, porque o CRCRJ é formado por profissionais. Sempre que posso, participo d eventos como Encontro da Mulher Contabilista, e busco mostrar que homens e mulheres possuem a mesma sabedoria na profissão. Todo dia é dia de lutar e mudar uma situação para melhor. Para isso, só precisamos nos manter firmes, ainda que os tropeços aconteçam. Tudo se acalma e se transforma. E que todos nós tenhamos a lucidez para encarar os ciclos da vida com humildade e perspicácia.